Adeus Velho Chico, até breve!

“O menino e velho Chico viagens

Mergulham em meus olhos

Barrancos, carrancas, paisagens

Francisco, Francisco

Tantas águas corridas

Lágrimas escorridas, despedidas

saudades

Francisco meu santo, a velha canoa

Gaiolas são pássaros

Flutuantes imagens deságuam os

Instantes

O vento e a vela

Me levam distante

Adeus velho Chico

Diz o povo nas margens”

(Francisco, Francisco – Maria Bethânia)

Nosso último dia de viagem não poderia ser em outro local a não ser na Foz do Rio São Francisco, na divisa entre os estados de Sergipe e Alagoas. Para ir ao local, é preciso ir até a cidade de Piaçabuçu (AL), de onde partem os barcos. Porém, nós ficamos hospedados na cidade de Penedo (AL), uma linda cidadezinha histórica, com casarões coloridos às margens do rio.

Optamos por ir pela empresa As Ribeirinhas. Você encontra essa agência logo na entrada de Piaçabuçu. Gostamos porque a embarcação deles é pequena, o que iria nos proporcionar a devida tranquilidade necessária para aquele momento. Existem várias embarcações grandes que levam turistas até a foz, com microfone e música alta durante todo o percurso. Queríamos fugir disso!

Nós pagamos R$ 100,00 por pessoa pelo passeio, que incluía: um isopor com 2 garrafas de água mineral, frutas e o almoço que estaria pronto na volta do passeio. Você pode escolher o cardápio antes de o barco sair e a comida é muito deliciosa.

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Quem nos acompanhou foi um barqueiro bem simples e humilde e fez questão de nos mostrar vários lugares bem legais ao longo do percurso.

Às margens do rio, pessoas lavando roupas, moradias, vegetação. À medida que o barco navegava, lembrávamos dos lugares por onde passamos e a emoção tomou conta desses instantes.

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Pensamos no quanto o rio é importante para o Sertão Nordestino, quanta vida ele proporciona, quantas pessoas ele abastece de água e de magia!

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Nossa primeira parada foi nas dunas de Piaçabuçu. Dunas bem douradas. A maioria dos barcos de passeio passa direto, mas nosso barqueiro fez questão de parar para vermos como era esse lugar.

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Depois, atracamos finalmente. Parecia coisa de filme! O encontro do rio com o mar bem na nossa frente. As espumas das ondas adentrando o rio e o Velho Chico mergulhando nas águas salgadas. O farol ao fundo.

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No local, tem umas cocadinhas para comer bem deliciosas e alguns artesanatos.

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Mas o melhor mesmo é, sem dúvida, contemplar aquele espetáculo natural. Um dos mais lindos de toda viagem!

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Voltamos com a sensação de que não poderia haver lugar melhor para encerrar essa viagem!

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A viagem continua: o problema do nosso carro foi solucionado

No último dia em São Miguel dos Milagres (AL), acordamos cedo para irmos ao mecânico na tentativa de descobrir o que estava acontecendo com o nosso carro. Como São Miguel é uma cidade bastante pequena, a oficina mecânica que o proprietário da pousada nos tinha indicado não tinha muitos recursos. Na verdade, era uma pequena oficina de fundo de quintal.

O mecânico (boa gente e muito simples) deu uma olhada, ouviu o funcionamento do motor do carro e logo descartou qualquer problema mais grave vindo diretamente do motor. Depois olhou, olhou… E acabou identificando um problema na polia do virabrequim. Essa polia, que no caso do nosso carro movimenta duas correias, a poly-v e a do acionamento do ventilador do radiador, tem uma junção de borracha que acabou descolando. Segundo o mecânico, a polia estava pegando na carcaça do motor e isso ocasionava o barulho. Como não teria chance de encontrarmos essa polia em São Miguel, decidimos arriscar seguir com o carro assim até Maceió para tentarmos resolver o problema por lá.

Depois do passeio do peixe-boi, seguimos para Maceió atrás de uma oficina. Fomos num ritmo bem tranquilo para evitarmos qualquer surpresa desagradável. Chegando lá, encontramos uma oficina mecânica e logo paramos para tentarmos solucionar o problema. O mecânico (Júnior) chegou no mesmo diagnóstico anterior, porém nos alertou que, provavelmente, não conseguiríamos encontrar essa polia em Maceió. Ele então falou numa solução paliativa: ele poderia sacar a polia e pedir para um torneiro mecânico fazer uma bucha de metal na parte de borracha que estava descolando. Garantiu que ficaria 100% e ficaria num valor bem melhor do que comprar uma polia original. Como a outra opção seria continuar com o problema, aceitamos a solução. Porém, outra questão surgiu. Como chegamos na oficina às 14 horas, o mecânico disse que não conseguiria entregar o carro no mesmo dia. Só que já tínhamos reservado pousada em Penedo – AL para esse dia. Depois de muita insistência, o mecânico aceitou, praticamente parar todas as suas atividades durante a tarde, para nos dar prioridade. Muito bacana da parte dele.

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Oficina mecânica em Maceió.

 

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No retângulo em vermelho, polia consertada.

Ficamos esperando na oficina das 14 horas às 17:30 (pense num lugar quente), quando o carro ficou pronto. O carro ficou tinindo novamente e então partimos em direção à Penedo pela AL 101. Tivemos que pegar um bom trecho de estrada à noite, o que não é muito recomendado. Primeiro pelos muitos relatos de assaltos em viagens à noite pelo Nordeste. Depois, porque essa estrada vai beirando o litoral de Alagoas, e, com certeza, é uma viagem com belíssimas paisagens! Não vale a pena fazer esse trecho à noite.

 

 

 

Visita ao projeto peixe-boi em Porto de Pedras

No último dia em São Miguel dos Milagres, fomos num passeio para visitarmos o Projeto Peixe-Boi, que fica numa cidade próxima a São Miguel, Porto de Pedras. Esse projeto é tocado por uma associação de guias comunitários dos municípios de São Miguel e Porto de Pedras, com o apoio das Prefeituras Municipais destes municípios, do Ministério Público e do ICMBio.

É um projeto muito bacana, que trabalha no âmbito da Educação Ambiental e da preservação ambiental do peixe-boi e da APA Costa dos Corais como um todo. Aliás, é interessante notar como a população local, principalmente as pessoas mais simples, é provida de um profundo desejo de preservação ambiental e de afeição pelo peixe-boi.

O passeio dura em torno de uma hora e meia e custa R$ 50,00 por pessoa. Você pode reservar diretamente na sua pousada. Todos os empreendimentos indicam essa opção! Porém, somente 70 pessoas podem fazer a visita por dia a fim de não estressar os animais. As saídas ocorrem entre 10h e 14h.

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Sede da Associação

O passeio começa na sede da Associação, onde há camisetas, bichos de pelúcia, sabonetes artesanais e chaveiros para venda. Além disso, tem uma estrutura com banheiro e água.

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Venda de artigos temáticos na sede da Associação

Com os tíquetes em mãos, o guia te leva até o local às margens do rio para pegar a jangada. Não pode ser usado barco a motor. Então, os jangadeiros vão no braço mesmo adentrando no Rio Tatuamunha, considerado o Santuário do Peixe-Boi.

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Jangadeiros no rio Tatuamunha

Logo no início do trajeto, podemos ver um cercadinho, local onde os peixes-bois ficam antes de serem soltos no rio definitivamente. Lá havia dois bemmmm grandes, de quatro 4 metros de comprimento.

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Local onde ficam os animais antes de serem soltos

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Peixe-boi

O legal do passeio é que os animais estão no seu habitat natural. Assim, você não tem a certeza de que eles chegarão perto do barco. Não é um zoológico aquático. Nós humanos é que temos que ter a paciência de esperar que eles – se quiserem – apareçam para apreciarmos.

Depois de um certo tempo no rio, quase sem esperanças, eis que aparece um peixe-boi bem pertinho. Foi uma festa no barco! O bicho subia para respirar muito próximo ao barco. Muito legal!

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Peixe-boi solto no rio

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Peixe-boi se aproximando do barco

O passeio vale à pena, mas lembrando que é um passeio apenas de observação. Não se pode tocar ou dar comida para os animais. Apenas contemplar a sua rara beleza!

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Confira mais informações no site da Associação: http://www.associacaopeixeboi.com.br/

O milagre do sossego em São Miguel e um imprevisto

São Miguel dos Milagres é um pequeno município do litoral alagoano. Pensem num lugar com cara, clima e jeito de interior? São Miguel é assim. Não é aquela cidade praiana com um centrinho cheio de lojinhas de artesanatos, restaurantes e barzinhos. Esqueçam isso. São Miguel é clima de colônia de pescadores.

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Principal rua de São Miguel, que atravessa todas as praias desde Porto de Pedras

Claro, tem a infraestrutura de pousadas e restaurantes (todos muito espalhados pelo litoral). Aliás, restaurantes bem gostosos, com frutos do mar de primeira. Mas o que impera são as jangadinhas na beira da praia, redes ao mar, extensões de areia para caminhar, águas limpas e transparentes. É um lugar onde o tempo para de verdade.

Visitamos a praia do Patacho, já em Porto de Pedras. Visualmente linda, mas tinha muitas algas e não estava legal para banho. Então, caminhamos.

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Praia do Patacho

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Caminhadas

Depois paramos na Praia Porto da Rua, onde ficava nossa pousada. A praia fica com grandes extensões de areia na maré baixa.

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Praia Porto da Rua na maré baixa

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Pacato movimento de turistas

Lá tem um restaurante que indicamos para almoçar ou jantar: Grande Lau. É especializado em frutos do mar, mas tem outras opções de carne. Eles servem pratos para duas pessoas e pratos individuais. Os individuais giram em torno de R$ 40,00 e, na verdade, dá para dividir para duas pessoas que comem pouco. Para nós, foi bem suficiente. Recomendo o local.

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Após o almoço, fomos à praia de São Miguel. Estava até bem cheinha de gente. Geralmente, essas praias são muito vazias. É maravilhoso demais!

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Barquinhos colorem a Praia de São Miguel

De lá, passamos na praia do Marcineiro e fomos andando por um longo trecho, observando a vida marinha na beira da praia.

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Coqueirais marcam a Praia do Marcineiro

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Extensas faixas de areia para caminhar

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Muitos siris passeando na areia

Para terminar o dia praiano, por acaso, vimos um mirante na cidade. Fomos ao alto e de lá pudemos ver o seguinte:

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Vista de São Miguel pelo mirante da cidade

Se quiser descansar de verdade, vá a São Miguel dos Milagres!

Já no caminho de volta à pousada, um imprevisto: nosso incansável companheiro deu sinais de cansaço, depois de um longo caminho de estradas asfaltadas e muitos trechos de estradinhas de terra bastante ruins. O motor começou a fazer um barulho muito alto do tipo tec, tec, tec. Por sorte, já estávamos chegando na pousada. Olhamos o nível do óleo e estava um pouco acima do nível mínimo. Completamos o nível para ver se o barulho parava, mas não parou. Como já era noite, e a gente tocaria para Penedo no próximo dia, achamos prudente passar num mecânico, que o proprietário da pousada nos indicou, na manhã seguinte.

A noite seguiu naquele clima de tensão, esperando para ver se, conseguiríamos completar nosso roteiro, ou se teríamos que “abandonar o navio”.

 

Dos arredores de Maragogi até a Rota Ecológica: um litoral paradisíaco

Maragogi é muito conhecida por suas piscinas naturais, as Galés. Mas há muitas praias bacanas na cidade e no entorno. Uma delas é São Bento. Pacata vila de pescadores, São Bento é um lugar de muita tranquilidade. Antes de seguirmos viagem para São Miguel dos Milagres, nós ficamos uma manhã inteira lá, deitados nas piscininhas que se formam na maré baixa.

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Praia de São Bento

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Calma e tranquilidade em São Bento

De lá saem jangadas para visitar piscinas naturais e a Croa de São Bento, banco de areia no meio do mar na maré baixa. Aliás, o que não falta nessa região são piscinas naturais. Nas praias menos badaladas, você consegue ir de jangada a um preço bem menor (R$ 35,00 por pessoa) e com bem menos gente que nas Galés de Maragogi, onde atracam inúmeros barcos e catamarãs.

Após a praia, fomos procurar os famosos biscoitos de Maragogi ou sequilhos ou bolo de goma (que é um biscoito, na verdade). A referência era a casa de dona Marlene. Fomos de carro pela rua da pracinha até o final e tinha uma plaquinha bem discreta identificando o local. Aparentemente estava fechado, mas batemos palma e a resposta veio logo: Pode entrar pelo lado!

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Casa de dona Marlene, onde tem os deliciosos sequilhos – bolo de goma

Entramos pela lateral da casa e demos numa cozinha grande. Dona Marlene nos recebeu, foi logo colocando biscoitinhos em uma vasilha, ao lado de uma garrafa de café. A degustação é bem farta! Uma delícia de biscoito!

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Degustação dos biscoitinhos

Tem tradicional, com recheio de brigadeiro, goiabada e de doce de leite! Bem baratinho! R$ 6,00 os pacotes menores. E a recepção foi maravilhosa! Dona Marlene é uma simpatia de pessoa.

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Dona Marlene: uma simpatia em pessoa!

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De lá, seguimos adiante, já sentido a São Miguel dos Milagres. A próxima praia foi Japaratinga. Que lugar bonito, que litoral paradisíaco!

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Praia de Japaratinga

Paramos em um mirante para contemplar aquele mar azul e decidimos descer até aquela maravilha! Que vontade de pegar!

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Descida do mirante

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Caminhada para tocar o azul do mar

Toda região de Japaratinga tem praias muito bonitas. Vale à pena passar o dia nessa região! E pela estrada tem mirantes lindos, onde aproveitamos para tirar fotos maravilhosas:

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Nosso bom e velho tracker, companheiro de estrada

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Mas nosso destino mesmo era a Rota Ecológica, mais precisamente o município de São Miguel dos Milagres. Para chegar lá após passar por Japaratinga, é preciso pegar uma balsa, que vai dar na localidade de Porto de Pedras. O valor é R$ 15,00 e a travessia é bem rápida. O que demora é o fato de ir apenas 6 veículos por vez e a mesma balsa que vai com os carros é a que traz os outros.

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Chegada na balsa

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À espera do retorno da balsa

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Vista de Porto de Pedras

Por fim, mais 10 km e chegamos a São Miguel dos Milagres.

Mas o que vale frisar nesse relato é que esse trecho do litoral alagoano é muitíssimo bonito. As praias são muito perto umas das outras. Vale muito à pena circular entre elas a partir de Maragogi.

Maragogi: o Caribe brasileiro

Maragogi é um município bem pacato. Pela fama das piscinas naturais, achávamos que era um local entupido de gente, assim como Porto de Galinhas. E – ainda bem! – é bem mais tranquilo. A cidadezinha em si é bem compacta, integrando boa parte da área turística. Também não sentimos aquele apelo forte e abordagem por passeios. Nós é que tivemos que procurar e foi bem tranquilo. O clima de aconchego da cidade é muito bom.

Pela manhã, fomos fazer o tal passeios nas piscinas naturais. Compramos o passeio no Restaurante Peixarão no dia anterior. Infelizmente, o dia estava nublado. Choveu na noite anterior e no início da manhã. Isso comprometeu a visibilidade das piscinas e do mar verde azulado maravilhoso!

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O barco estava marcado para 8h30 e chegamos 8h20. Deu 8h30, 8h45 e nada. Lá pelas 9 horas o marinheiro chegou e nos conduziu até o barco. É que estavam reunindo turistas que compraram passeios por vias diferentes em um único barco. Uma família de chinelos pirou e achou esse esquema “anárquico”. Enfim, de férias, a gente nem ligou pra isso!

Em torno de 15 minutos de barco chegamos às Galés, área das piscinas naturais. Estava bem cheinho de gente, mas como a área é grande deu para aproveitar bem. A água estava da cintura para cima e com máscaras de mergulho dava para ver muitos peixinhos coloridos lindos! Mas, o ventinho frio e sem o sol, fazia a gente bater o queixo.

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Galés de Maragogi

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O clima das piscinas naturais é bem bacana. Várias famílias, namorados, crianças vão curtir as piscinas naturais.

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Na volta, almoçamos na orlinha da cidade mesmo. Tem opção de self-service, o que torna a alimentação bem em conta, mesmo em região turística. À tarde passamos em duas praias do litoral do Norte: Praia do Antunes e Burgalhau. Eram lindas e menos cheias que a praia do Centro.

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Praia do Antunes

Por fim, visitamos a Fazenda Marrecas, a 4 km do asfalto. Era uma antiga fazenda de engenho que virou um hotel chique. Não podia tirar fotos, mas você pode visitar as áreas externas e “vislumbrar” a casa-grande. Parece que tem um alambique onde é possível degustar cachaça, mas não estava aberto na hora em que fomos. Abaixo vai uma imagem da internet mesmo:

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Fazenda Marreca

A noite em Maragogi é muito gostosa. Tem um calçadão na praia, que dá para caminhar tranquilamente. As opções de comida são variadas, desde churrasquinho e tapiocas em barraquinhas, a restaurantes a la carte na beira da praia. Achamos bem acessível e para todos os gostos.

Maragogi é uma delícia! Com certeza é um destino para voltar e curtir com calma cada uma das praias.

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Sobre a não ida a Palmares e a aversão ao turismo de massa

Estava no roteiro inicial visitar o Memorial a Zumbi dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas. Era um desejo muito grande, pois se tratava de um lugar de forte simbolismo de resistência negra de um capítulo fundamental da história do Brasil. Então, o cálculo que fizemos foi: de Recife a Palmares seria apenas 126 km. Muito tranquilo de ser feito antes de atracarmos em Maragogi.

Porém, na hora de colocar no GPS a cidade de Palmares dava os 126 km até Palmares no estado de Pernambuco. Havia algo errado. Olhamos na internet e percebemos o erro de cálculo. O Memorial ficava, na verdade, em União dos Palmares – AL, que ficava a 224 km de Recife, quase o dobro do que havíamos planejado. E de lá até Maragogi, mais 119 km. Ou seja, quase 400 km a mais.

Diante do ocorrido e sem poder sair muito dos custos já planejados, decidimos tocar em frente pelo litoral Sul de Pernambuco, dando uma parada em Porto de Galinhas. Achamos que foi uma ideia bem infeliz, na verdade, salvo pelos minutos de tranquilidade na Praia de Muro Alto.

Ao chegar na entrada de Porto de Galinhas, percebemos, logo à frente, uma certa aglomeração de pessoas, no meio da avenida, um verdadeiro frenesi coletivo. O carro foi aproximando, e, não mais do que de repente, brotou, um, dois, quatro! Vários vendedores de passeios, vendedores de água mineral, guias turísticos, flanelinhas… Eles vinham de todas as direções, com as suas plaquinhas, garrafinhas e etc, e, simplesmente, se jogavam contra o carro – impressionante! Senti-me como na série The Walking Dead, com todos aqueles zumbis se jogando sobre o carro, sedentos de sangue.

Comecei a ficar meio estressado e então saquei a técnica infame: o objetivo era fazer você parar o carro, pois tinham a certeza de que você o faria. Comecei a simplesmente ignorar e apenas mantinha o carro em sua trajetória, sem frear. Sei que finalmente já estava estacionando, numa rua tranquila, quando, já com o carro parado, e, não mais do que de repente (sempre é assim), brota um papelão sendo colocado no para-brisa do carro (respiro fundo e cumprimento o rapaz.).

“Pronto, já passado o estresse inicial da chegada e do estacionamento, agora vamos curtir uma boa praia” – Penso eu (ó, pobre coitado!). No caminho para a praia, várias abordagens: “a minha barraca é a melhor, vamos passar um dia relax lá?”; “olá casal, vamos conhecer as piscinas naturais?”; “oi, estão a fim de conhecer a minha arte?”. Apenas ignoramos as investidas e seguimos obstinados em direção ao paraíso prometido depois da grande epopeia: a famosa praia das piscinas naturais de Porto de Galinhas!

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Praia de onde saem as jangadas para as piscinas naturais

Conseguimos encontrar um espaço na areia loteada e então fomos para a água. Água quentinha e cristalina, que beleza! Mas, depois de um curto período relaxando – uma água viva! A Lu dá aquele pulo e vejo que não era água viva coisa nenhuma (antes fosse algo vivo). Era plástico. Na verdade, olhamos ao nosso redor e percebemos que tinha muito lixo na água. Muito triste. Depois dessa broxada, decidimos ir até a praia do Muro Alto, também em Porto de Galinhas. Antes almoçamos num restaurante do calçadão com preço camarada, e seguimos adiante.

Na praia de Muro Alto, outro clima. Já não existia aquela abordagem irritante e a água estava quentinha, cristalina e limpa! Então pudemos tirar toda a carga de tensão dos momentos anteriores.

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Outra coisa legal que encontramos foi uma feirinha agroecológica que ocorre todas as sextas-feiras em Porto de Galinhas, diretamente de agricultores familiares.

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Feira Agroecológica de Porto de Galinhas

Conversando, eu e a Lu, chegamos à conclusão que estamos cada vez mais desestimulados com esses destinos extremamente turísticos, abarrotados de gente e sempre com algum vendedor disposto a extorquir o turista.

Mas é preciso que fique claro: não é uma crítica ao lugar Porto de Galinhas, que é um paraíso natural, mas sim à forma como esses lindos lugares acabam sendo exaustivamente explorados nem sempre de forma saudável.

Das ruas históricas de Olinda ao desconhecido litoral Norte de Pernambuco

O último dia de passeio em Recife ficou por conta dos seus arredores. Pela manhã, fomos visitar Olinda. Demos sorte e fomos justamente no dia 9 de fevereiro, dia de comemoração ao Frevo. Na Praça da Igreja da Sé, havia algumas apresentações de passistas e bonecos gigantes durante todo o dia.

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Apresentação do frevo na Praça em frente à Igreja da Sé

Passamos na casa de informação ao turista e pegamos um mapinha da cidade. O rapaz que nos passou a informação – gratuitamente – era bem atencioso e indicou tudo que estaria aberto à visitação. É bom dizer que a abordagem de guias locais em Olinda é bem forte (pra não dizer chata). Não dá tempo de você chegar e tem milhares de guias oferecendo um city tour. Eles te apresentam os principais pontos e você contribui ao final com o que achar que vale.

Optamos por ir por nós mesmos. O Centro Histórico de Olinda é bem bonito, arborizado e diversas igrejas estavam sendo restauradas.

As casinhas coloridinhas é um charme à parte e já se preparavam para o carnaval.

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Visitamos algumas das construções coloniais mais famosas do lugar e uma das que mais gostamos foi o Convento de São Francisco.

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Convento de São Francisco

Almoçamos em Olinda mesmo e de lá decidimos explorar o litoral Norte de Pernambuco, bem menos falado do que a famosa Porto de Galinhas. De Olinda até a Ilha de Itamaracá, local escolhido, são cerca de 40 km. É um passeio possível de fazer casado se você estiver de carro.

O trânsito é um pouco lento até o local, pois é necessário atravessar boa parte da região metropolitana da Grande Recife. Mas ao chegar à Ilha de Itamacará, passando por um rio, o estresse fica para trás.

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Entrada da Ilha de Itamaracá

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Rio na entrada na Ilha

Optamos por visitar primeiramente o Forte Orange, construção inicialmente holandesa, construída na praia. Aliás, há diversas construções históricas holandesas na região.

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Forte Orange

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O Forte estava sendo restaurado. Então, pudemos apenas contemplar a vista, que estava linda! De lá, pudemos ver a Croa do Avião, ilhota que você pode chegar de lancha, em 5 minutos. Não tínhamos tempo de ir.

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Croa do avião ao fundo

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Depois, ficamos um tempinho na praia descansando. O clima da Ilha é muito bom e dá para ficar alguns dias curtindo essa parte do litoral. Valeu o passeio, que nem estava previsto inicialmente no nosso roteiro.

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Centro histórico e mercados populares em Recife

No nosso segundo dia em Recife, decidimos caminhar para conhecer a pé o Centro Histórico. Deixamos o carro no estacionamento rotativo (as vagas são identificadas como Zona Azul), em frente à Igreja Madre Deus. Pagamos R$ 10,00 para deixar o carro por 5 horas.

Começamos a caminhada pelo Marco Zero, de onde podemos ver o parque das Esculturas de Brennand. No entorno, há prédios históricos muito bonitos.

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Fomos caminhando até o Cais do Sertão, um dos museus interativos mais lindos que visitamos. Há muitas informações sobre o Sertão, desde narrativas sobre o cotidiano nordestino, até a história do Cangaço, das músicas, dos brinquedos. Realmente, é um museu com muita informação que vale à pena a visita. A entrada custou R$ 10,00 e para estudantes da rede pública é gratuita.

O Museu é fundamental para desmistificar diversas questões sobre o sertão. Sobre as belezas naturais e a culinária regional, ficam as seguintes reflexões:

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Saindo de lá, passamos pela Torre Malakkoff, que só abre para visitação aos domingos.

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A essa altura o sol estava muito forte e as energias começaram a reduzir. Passeamos então pela Rua Bom Jesus, onde ficam a Sinagoga e a Embaixada dos Bonecos Gigantes.

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A entrada  na Embaixada custa R$ 10,00 e você conhece diversos bonecos que desfilam no carnaval de Olinda. A princípio, achamos que a visita não valia o valor pago, mas depois apareceu um rapaz que explicou como eram feitos os bonecos. Achamos engraçado os bonecos de Trump e do Japonês da Federal, além dos clássicos personagens da turma do Chaves, revolucionários e da cultura nordestina.

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Sob o sol escaldante, ainda tivemos fôlego de passear pelo Teatro Apolo. Antes de ir paro almoço, um rapaz caiu de moto perto de nós, pois escorregou nos trilhos de trem que marcam o chão do centro histórico. Leo ajudou a socorrer, mas estava tudo bem com o cara. Depois do almoço, que rolou na Rua Bom Jesus em um restaurante bem em conta chamado Bom Bistrô (R$ 12,99 prato livre em self-service), fomos para a região dos Mercados.

Passamos pelo Mercado São José, onde tem um grande comércio popular de pescados, carnes, artesanatos, cestarias, roupas. Na região, há, na verdade, um enorme comércio popular informal nde rua, que incluem ervas, frutas e legumes, além de inúmeros camelôs.

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Venda de pescados no Mercado São José

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Mercado São José

O rolé continuou até a Casa da Cultura, onde há inúmeras lojinhas de artesanatos e lembrancinhas regionais.

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Parte interna da Casa da Cultura

Finalmente, Leozinho provou o famoso bolo de rolo dos mais diversos recheios: tradicional (goiabada), doce de leite, prestígio, café e limão. Sobrou espaço para provar uma cachacinha de gengibre, canela e melaço, geladinha, claro!

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Mortos de cansaço, fomos finalmente conhecer a famosa Praia de Boa Viagem e seus tubarões! Risos. Curtimos o fim do dia na orla, repleta de pessoas praticando exercícios físicos no fim de tarde!

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Praia de Boa Viagem – Recife 

 

 

Pelas artes e museus no Recife

Nossa permanência no Recife, capital de Pernambuco, será de três dias, sendo que no primeiro dedicamos à visitação de alguns museus: Museu do Homem do Nordeste, Museu do Estado de Pernambuco e Oficina de Francisco Brennand. Eles ficam localizados em uma região relativamente próxima na cidade, como mostra o mapinha abaixo:

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Primeiramente, fomos ao Museu do Homem do Nordeste. Para quem for de carro, não tem estacionamento no Museu, mas você pode deixar o carro na rua lateral. Infelizmente, o Museu estava fechado para reforma. Mas havia exposições em três galerias. Como já estávamos lá, decidimos visitá-las. E não nos arrependemos!

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Uma delas era de um ceramista pernambucano como conhecido: Porfírio Faustino, pouco conhecido, mas como peças lindíssimas:

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Depois visitamos uma galeria com uma exposição de arte contemporânea e outra, que foi a de que mais gostei: o Museu das Parteiras. A exposição retratava um pouco desse trabalho tão importante que perdurou por séculos e hoje ainda é muito marginalizado.

Havia diversas fotografias de parteiras, seus objetos relacionados à fé, depoimentos, ervas utilizadas durante o parto. Destaque para a Rede Cegonha  programa de incentivo ao parto humanizado criado durante o Governo Lula, que inclui, entre suas várias ações, entrega de kits às parteiras tradicionais, como lanternas, bolsas e outros materiais ambulatoriais. Como é um programa de governo, não se sabe se terá continuidade…

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Kits para as parteiras tradicionais

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Almoçamos no Museu mesmo. Lá tem um restaurante para funcionários e acabamos aproveitando o espaço. Um self-service bem baratinho.

De lá, fomos para o Museu do Estado de Pernambuco (nesse tem estacionamento). Não tem exatamente o que imaginávamos (a história de Pernambuco, etc). Lá vimos uma exposição sobre a invasão holandesa no Brasil; homenagem ao centenário de Miguel Arraes (bem legal!) e uma visitação a um casarão da elite pernambucana no século XIX. Vale a visita, mas se você estiver com pouco tempo, pode ficar para outra ocasião.

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Para finalizar o dia, fomos à Oficina de Cerâmica de Francisco Brennand.

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Um lugar, no mínimo, excêntrico!

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Primeiro, você ingressa numa área verde, como se fosse um parque florestal. Aí você chega em um espaço gigantesco de arte, com esculturas enormes que lembram um pouco a Ilha de Páscoa, no Chile.

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Além de muitas esculturas, há pinturas maravilhosas, com destaque para imagens femininas. Não é exagero dizer que você ingressa em um templo das artes.

Infelizmente, acabamos chegando tarde demais e ficamos apreciando o lugar apenas por 1h30. Erro de cálculo. Nossa sugestão é de que quem for visitar esse local dedique pelo menos meio período do dia. É um espaço muitíssimo singular, muito grande e com muitos detalhes para apreciar. É muito único mesmo! Não conseguimos visitar todas as salas.

Na Oficina também tem um café, que dá para você lanchar ao fim do dia. O local fecha às 17 horas. Então, fica a dica: todos os museus valem à pena, mas se o tempo for curto priorizem a Oficina de Cerâmica de Brennand! E não confundam com o Instituto Ricardo Brennand, que também é um espaço de artes muito bacana de visitar. Eu já visitei por ocasião de outra viagem a Recife, mas confesso que curti bem mais a Oficina de Cerâmica.

Informações úteis:

Oficina Francisco Brennand: http://www.brennand.com.br/ – Valor do ingresso: R$ 15,00 (inteira)

Museu do Homem do Nordeste: http://www.fundaj.gov.br/index.php?option=com_content&id=250&Itemid=238

Museu do Estado de Pernambuco: http://www.museudoestadope.com.br/ – R$ 6,00 (inteira)