Lagoa Grande: a Mendoza Sertaneja

Um dos principais atrativos de Petrolina tem sido a Rota dos Vinhos. Há vários tours que envolvem o passeio de barco pelo Rio São Francisco e a visitação às vinícolas.

Porém, optamos por fazer uma rota alternativa, além dos passeios tradicionais. Primeiramente, identificamos uma vinícola pequena e que tinha como diferencial a produção orgânica da uva e do vinho: Bianchetti Tedesco.

Nosso objetivo era conversar longamente, da forma como gostamos de fazer, sobre todo o processo produtivo, do campo ao processamento.

Agendamos com bastante antecedência e lá fomos nós até Lagoa Grande, onde se localizam a maior parte das vinícolas do São Francisco.

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dscn9789A estrada é uma reta sem fim e quando chega a parte dos vinhedos não é exagero dizer que lembra as estradas de Mendoza, na Argentina, com a diferença de que no horizonte não tem nenhuma Cordilheira dos Andes e sim grandes extensões de Caatinga.

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Os 80 km até a vinícola foram feitos em menos de uma hora. A estrada é muito boa, mas precisa ter muito cuidado com os bodes e jegues na beira da pista. São muitos durante todo o percurso.

Fomos recebidos pelo funcionário Carlos, pois os proprietários estavam viajando. Ele era o responsável pela produção no campo e também pelo processamento.

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No local onde visitamos, há 17 hectares de uvas plantadas em sistema orgânico. Há uvas para suco, uvas de mesa e uvas para vinho. Eles também produzem um caldo de cana muito gostoso e tudo sem conservantes!

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No campo, Carlos nos mostrou os plantios muitíssimo bem cuidados. Leo tirou várias dúvidas sobre poda e irrigação, que é por gotejamento. A safra no Vale do São Francisco é em torno de três por ano! As uvas amam o sol sertanejo!

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Também pudemos conhecer o reaproveitamento do bagaço da uva na compostagem, que conta com estrume de… bode! Sim, há vários bodes na vinícola e tudo se aproveita na produção orgânica. Além disso, os parreirais são fertirrigados com a vinhaça, resultado do processamento do vinho.

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Após as explicações sobre o processamento da uva para fabricação do vinho, fomos provar se o vinho do sertão é bom mesmo!

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Provamos o vinho branco suave, tinto suave, tinto seco e o espumante moscatel, o mais top de todos!

Apenas eu provei os vinhos, pois Leo estava dirigindo. Avaliei que os vinhos brancos são maravilhosos. O espumante é excelente! Apesar de não gostar de vinho suave, achei que o tinto ficou na medida. Já o seco, achei que amargava um pouquinho no final, mas acabei levando uma garrafa para provar novamente em casa, com calma.

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O que tenho para dizer é que o vinho do São Francisco é sim, muito delicioso! Precisamos conhecer mais, consumir mais! Acho que falta muita divulgação sobre o assunto e um marketing pesado em cima desses vinhos. Segundo o funcionário que nos atendeu, as vinícolas da região estão pleiteando a Indicação Geográfica (IG), o que vai deixar esse produto cada vez mais exclusivo.

Outro ponto que nós não sabíamos é que boa parte das vinícolas do São Francisco são de grupos produtores de vinho do Rio Grande do Sul que se instalaram na região, como por exemplo, o Grupo Miolo.

Acreditamos que essa atividade tem muitíssimo potencial e a presença da Embrapa na região é ponto fundamental para esse êxito. Várias variedades desenvolvidas por essa empresa são adotadas nas vinícolas.

É importante registrar que não é uma atividade da agricultura familiar na região, até porque os custos para iniciar um empreendimento desse tipo, totalmente dependente de equipamentos de irrigação, requer um bom investimento. Não se pode negar, porém, que gera empregos para o local e agora, com o enoturismo, ajuda muito na movimentação da economia.

Saímos de lá muitíssimos felizes por conhecer os vinhos do sertão e brindaremos mais ainda quando os frutos desse progresso puderem se estender a mais e mais agricultores de base familiar do semi-árido.

Depois da visita, passamos rapidamente, já na volta, ao projeto de agricultura irrigada no Senador Nilo Coelho. Muitos plantios de coco, manga e uva. É o milagre da fruticultura no semi-árido pela irrigação com as águas do rio São Francisco.

 

Serviço:

Adega Bianchetti Tedesco

Estrada dos Vermelhos, s/n, Zona Rural, Lagoa Grande-PE. CEP: 56395-000

Contatos: (81) 4042-0008 / Cel: (87) 99619-0040-TIM/ (87) 99138-4620-Claro

Facebook: adegabianchetti

Valor da visitação (com degustação): R$ 15,00 por pessoa.

 

 

 

 

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Um comentário sobre “Lagoa Grande: a Mendoza Sertaneja

  1. vanessajustino disse:

    Luciana, no final de cada etapa vcs podiam dar um panorama geral das estradas, tempo gasto em cada deslocamento entre as cidades, hospedagens e valores… Seguimos daqui!

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